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Desculpe te dizer isso assim, mas seu maior problema é você

20 de abril de 2016

VALTER TAMER

Uma das melhores coisas que já me aconteceram foi descobrir que meu maior problema não são as pessoas, as coisas, as circunstâncias nem as condições da minha vida. O meu maior problema sou eu. São os meus modelos mentais e as minhas estratégias internas que determinam as minhas escolhas, as minhas decisões e a forma como eu ajo ou reajo às pessoas e aos acontecimentos. E a vida é feita de escolhas, não é mesmo? Isso ampliou muitíssimo a minha consciência e mudou a minha vida para sempre porque me permitiu identificar a estrutura, digo, a origem de todos os meus conflitos, angústias e sofrimentos.

Deixar de olhar “o que” ou o “porque” das coisas e passar a observar “como” elas acontecem e se mantêm na nossa vida é condição sine qua non para toda e qualquer mudança. Este é um dos primeiros aprendizados que compartilho com meus alunos porque, infelizmente, isso ninguém nasce sabendo.

Depois de muito tempo identificando e resolvendo minhas questões pessoais, ampliei a minha observação para questões mais complexas relacionadas aos meus contextos de interação, a começar pelos meus relacionamentos pessoais como família e amigos, até chegar à minha sociedade e ao meu país. Como o Brasil, com tantos recursos naturais, continua sendo um país subdesenvolvido? Como o Brasil continua não conseguindo resolver os seus problemas mais urgentes? Como o Brasil consegue fazer dar errado as coisas que, naturalmente, são feitas para dar certo? Como o Brasil repete os mesmos erros, há séculos, e não aprende com isso?

Há quem diga que “é porque somos um país novo, uma nação nova historicamente”. Mas há um momento na vida da gente em que as desculpas não convencem, não fazem mais sentido e a gente tem que buscar as justificativas, os motivos reais e enfrentar o problema de frente. Ora, os Estados Unidos também são um país novo, uma nação nova historicamente e a maior potência do mundo. Tudo ao mesmo tempo agora. Apesar de não terem os recursos que temos aqui, lá as coisas funcionam, lá as pessoas funcionam. Então, qual é o verdadeiro problema do Brasil?

O problema do Brasil é o brasileiro. O Brasil é um país subdesenvolvido porque somos um povo subdesenvolvido. E o que faz do brasileiro um povo subdesenvolvido é sua lógica distorcida, suas crenças e valores destrutivos, seus princípios degradados, sua visão empobrecida de mundo. E isso vem de longe, de muito longe, vem da nossa origem. Claro que é possível mudar! Mas, para mudar é preciso identificar o problema. O princípio da cura é o reconhecimento da doença.

Assim como eu, talvez você se considere uma exceção neste processo, mas o fato de sofrermos as consequências do pensamento e dos comportamentos dos outros confirma o princípio da coletividade, do pensamento sistêmico, que a maioria de nós ignora. É, somos um povo que não pensa coletivamente, que não tem espírito de grupo. Aqui, vale o ditado “Se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”. E uma nação se faz de regras, não de exceções.

Agora que o Brasil está afundado em denúncias de corrupção e perdeu a credibilidade na comunidade internacional; agora que o Brasil está prestes a ser o único país do mundo a ter dois Presidentes da República, eleitos por voto popular, impedidos de cumprir seus mandatos; agora que o Brasil assistiu a duas votações de impeachment do seu Presidente da República em menos de vinte e quatro anos; agora que o Brasil se envergonha da atuação vexatória dos seus parlamentares; agora que o Brasil não ganha nem no futebol; agora que o Brasil, mais do que nunca, grita por mudanças talvez seja um bom momento para nos perguntarmos: Como nós estamos criando e mantendo essa ordem de coisas? Qual é o nosso verdadeiro problema?

Mas, se você ainda está às voltas com suas questões pessoais, se você não resolveu suas próprias angústias e conflitos, talvez você deva se perguntar primeiro: Como eu estou criando e mantendo essa ordem de coisas na minha vida? Qual é o meu verdadeiro problema? Ou você prefere as desculpas? Lembre-se: para mudar é preciso identificar.

Desculpe te dizer isso assim, mas, assim como é comigo, seu maior problema é você. Se ampliarmos o nível da discussão, nosso maior problema somos nós. A boa notícia é que a solução também é você, somos nós.

A propósito, se você quer compreender um pouco da nossa condição como povo e nação, sugiro a leitura dos livros “A cabeça do brasileiro”, de Alberto Carlos Almeida e a trilogia “1808, 1822 e 1889”, de Laurentino Gomes. Agora, se você quer compreender e, sobretudo, resolver a sua condição pessoal, eu sugiro três alternativas: autoconhecimento, autoconhecimento e… Autoconhecimento.

24 Comentários

  1. Isabel disse:

    Perfeito como sempre. Parabéns Brilhante 😤

  2. Paula Corrêa disse:

    Muito bom artigo! Reflexivo e de ótimo entendimento. 👏

  3. Ricardo Galvão Macedo disse:

    Perfeito, mãos a obra: Sejamos a mudança que queremos ver no mundo !!!

  4. Babi disse:

    O maior desafio é reconhecer a necessidade de se ver como ser falho e propor a si mesmo a chance da mudança.
    Que cada um faça a sua parte e que o sistema enfim não sofra com o egoísmo do ser humano.

  5. Felipe Mateini disse:

    Já dizia a alguns colegas no trabalho estes dias… As pessoas confundem coletividade com Solidariedade… A último sobra, a primeira o brasileiro nem sabe o que é!

    Meu reconhecimento de de que não sou o um cidadão, é o princípio para me tornar pleno como integrante da nação…. E como disse, também não nascemos sabendo ser cidadão, tampouco nos ensinam isto no Brasil!!!

    Bora largar esta desculpa de lado e
    aprender!

  6. Paula disse:

    Concordo Qdo diz Q somos um povo sem princípio de coletividade. E talvez por isso, não seja mais fácil de alcançar as pessoas se o texto fizer o caminho contrário? Ou seja, abordar mais profundamente o âmbito pessoal para que isso se reflita no coletivo?

    • Tamer disse:

      Perfeito, Paula!
      Até porque a mudança começa pelo sujeito, de dentro para fora. Outros textos virão nesse sentido.
      Obrigado pela participação!

  7. Uilson Rangel disse:

    Salve Mestre! Genial eu diria e resumiria a precisão de sua expressão aqui em forma de texto com a palavra “Verdade” e faço referencia a uma frase muito conhecida, porém pouco praticada… “A verdade vos libertará”… Passou da hora de enfrentarmos as coisas como elas são em sua realidade e chamar a responsabilidade para si mesmo e deixar de achar culpados… Muito bom Parabéns e obrigado por compartilhar!!!

  8. Raquel Andrade disse:

    Mestre,
    Gostei muito do artigo e dele destaco o momento em que você faz a ressalva para o caos interno do sujeito. E que é preciso ordená-lo para que a criatura tenha condições de pensar e solucionar algo além da própria vida. Isso é mesmo fundamental!
    De tudo que escreveu só discordo da execração ao povo brasileiro – inclusive porque seu trabalho me ajudou a enxergar mais coisas boas em detrimento das ruins! E, acima de tudo, que o ser humano precisa ser encorajado para explorar plenamente suas próprias capacidades, mudar a própria vida por meio delas e também contribuir para o coletivo do mesmo modo!
    Então, penso que o problema do brasileiro médio é padecer de baixa auto estima e recair no triste auto abandono.
    Quatro abraços!

  9. Gilson disse:

    Parabéns, querido!!
    Como sempre, precisão cirúrgica na estrutura da questão!!
    Minha gratidão por compartilhar!!! Deus continue o abençoando!! Um forte 4braço!!

  10. Murilo Teste disse:

    Legal!

  11. Tamer disse:

    Valeu, Murilo!

  12. Tamer disse:

    Obrigado, Alefe!

  13. Fábio disse:

    Parabéns pelo texto, Tamer!

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