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Ei, eu pago para o seu filho estudar de graça

4 de maio de 2016

VALTER TAMER

Durante uma palestra que fiz para educadores, coordenadores e diretores de escolas, refletíamos sobre as competências interpessoais necessárias à atuação destes profissionais dentro e fora da sala de aula, na relação com alunos, pais e colegas de trabalho.

Estava presente a diretora de um colégio importante, frequentado por alunos dos ensinos fundamental e médio, pertencentes às camadas mais privilegiadas da sociedade. Visivelmente emocionada, ela compartilhou conosco um pouco da sua experiência mais recente à frente da instituição.

Ela começou contando o caso de uma criança pobre, bolsista, e outra rica. As duas brincam e estudam juntas, e são grandes amigas. Incomodados com essa aproximação, os “pais ricos” têm feito de tudo para separá-las. Recentemente, eles foram para a porta da escola e abordaram os “pais pobres” em tom agressivo e espalhafatoso: “Vocês estão vendo esse valor aqui? (Nesse instante, eles sacam o carnê escolar e apontam para o valor da mensalidade) Nós pagamos isso para sustentar o seu filho que estuda de graça… Nós não queremos nosso filho metido com o seu!”

Noutra ocasião, a direção foi procurada por uma mãe, cujo filho fez aniversário e convidou alguns amigos para a festa. Uma das crianças recusou o convite porque a mãe dela a proibiu de ir à festa de uma criança “de cor”.

Outro caso envolveu uma mãe, que escutou de outra mãe, que sua filha não é convidada para os aniversários dos colegas, porque os presentes que ela dá não são bons, não são de grife.

As histórias dariam um livro, mas vou parar por aqui.

Além dos incontáveis compromissos e tarefas, agora a diretora está às voltas com o departamento jurídico. É, a escola de hoje virou caso de polícia.

Custei a acreditar. Me faltam palavras para definir o que senti diante daquele depoimento. Especialmente, porque acredito que só a educação pode mudar o mundo. E estamos falando de pessoas que frequentaram boas escolas, que, teoricamente, tiveram acesso à educação. Então, onde está o problema? Como sempre, o problema está nas crenças, nos valores, nos princípios.

Essas pessoas não se dão conta da sua responsabilidade social? Mas, como discutir isso com gente que tem a consciência obscurecida pela arrogância e pelo preconceito?

Sinceramente, nessa altura do campeonato, em pleno século XXI, intolerância, preconceito, racismo, sexismo, fundamentalismo e todos esses “ismos”, mais que deformação moral ou do caráter, são manifestações de estupidez. É uma questão de QI mesmo, de “curtura”. E, na boa, eu tenho preguiça de gente “curta”.

Se você quer compreender o comportamento de uma criança, conheça os pais dela.

Seus filhos aprendem mais com o seu exemplo do que com qualquer outra coisa. Se hoje você está sendo chamado na escola por causa das inadequações do seu filho, cuidado, amanhã você pode ser chamado na delegacia ou talvez tenha que visitá-lo no presídio.

Para o bem da sociedade, eduque seus filhos para serem pessoas melhores e cidadãos mais conscientes. Se você acha que a sociedade não é um problema seu, faça-o para o bem deles mesmos ou para o seu próprio bem. Mais que um compromisso social ou um ato politicamente correto, é uma questão de inteligência. Pensa comigo: esse “pobre” que hoje você sustenta para estudar de graça, amanhã pode ser o seu médico, o dentista dos seus netos ou a enfermeira que vai te limpar e te dar banho quando você não puder fazê-lo.

6 Comentários

  1. Isabel disse:

    Mestre tema de muita importância A educação dever de todos nós.

  2. Felipe Mateini disse:

    Como sempre… Crenças e Valores… Esse looping entre pais e filhos com níveis baixos de valores morais e crenças extremamente limitantes precisa acabar…. E na minha experiência isso só está sendo possível em virtude do auto conhecimento… Um processo por vezes doloroso, sobretudo quando falamos de laços afetivos familiares… Mas totalmente necessário… Ótima reflexão que o texto proporciona…

    • Tamer disse:

      É isso, meu caro! Temos um longo e árduo caminho pela frente. Nossos filhos são privilegiados em todos os sentidos. Principalmente, por terem pais mais conscientes e comprometidos com a coletividade.

  3. Álefe - Tangerina Design disse:

    Show!

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